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Quando fazem do evangelho um business

O que precisamos é abrir “igrejas” nas almas humanas desde sempre.


Quando fazem do evangelho um business

Acabei de ler o livro THE RISE OF NETWORK CHRISTIANITY, dos autores Brad Christerson & Richard Flory. A obra trata do ramo cristão que atualmente mais cresce no mundo, principalmente entre os adultos jovens. Os autores chamam de INC (Independent Network Charismatic).

Não se trata de um movimento, mas, um fenômeno que se agigantou nos EUA nos últimos tempos. O que se observou lá é que as denominações religiosas formais e tradicionais (Assembleia de Deus, Igreja Batista, Presbiteriana) vêm perdendo força rapidamente, sendo substituídas por líderes independentes, do ramo pentecostal, com foco em milagres, expulsão de demônios e uma participação cada vez mais forte na sociedade, como querendo trazer o “céu para a Terra” com os valores que defendem.

Estes líderes, que se colocam como apóstolos e profetas, apesar de também possuírem suas megaigrejas individuais, não se vinculam a nenhuma destas igrejas tradicionais maiores, e são líderes “onipresentes”, participando de conferências e eventos ao redor do mundo, em um verdadeiro frenesi, formando uma espécie de rede com outros pastores, muitas vezes ligados entre si apenas por redes sociais, por uma ideia, sem embasamento bíblico, de “cobertura espiritual” (como um pastor que está sobre a autoridade espiritual de outro), e fluxo de recursos.

Interessante é ver que nas igrejas deste novo ramo (e.g.: Bethel Church, IHOP (International House of Prayer), etc.), boa parte do sustento das igrejas nem vem mais de dízimos e ofertas dos domingos (que responde apenas entre 20% e 30%), mas, de várias fontes diferentes, como produtos de mídia (música, livros, DVD’s com conferências), doações individuais até de outros países, etc.

Pessoalmente, ao ler esse livro fiquei EXTREMAMENTE PREOCUPADO com a QUALIDADE DO EVANGELHO ali pregado e não duvido que muito em breve, isso esteja muito presente por aqui, pois infelizmente, várias igrejas no Brasil importam evangélico muitos destes “modismos”.

Teologicamente falando, muito fraco, lembrando em muitos casos uma espécie de show business e o modelo de pirâmides como da Amway (multinível), onde um pastor cabeça tem abaixo de si outros pastores sobre sua cobertura e apoio, recebendo o andar de cima valores dos debaixo.

Escrevo esse pequeno texto para que estejamos atentos para que o Evangelho não seja ainda mais banalizado, pois do que adianta encher um templo, o que para muitos cristãos parece significar igreja. Como recentemente li de um famoso pastor falando, igreja é gente cheia de Deus. O que precisamos é abrir “igrejas” nas almas humanas desde sempre. Que Deus continue a nos abençoar.



Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil

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