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Pregação “cristã” politicamente correta

(Este é um texto crítico que pode ser lido sem receita médica. É muito indicado para pós-moderninhos auto-indulgentes. Contém altas doses de ironia)


Pregação "cristã" politicamente correta

Como seria uma pregação progressista, inclusiva, pós-moderna, tolerante, pluralista, feminista, relativista, ecumênica, libertária e multicultural? Tenho impressão de que poderia ser assim:

Amadas, amados e amadxs, que a graça, a paz e o axé estejam com todas, todos e todxs.

Gostaria de, neste momento, fazer uma breve reflexão sobre o amor do Ser Superior, e como é desse amor que brotam a tolerância e a diversidade.

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Tomo hoje a Bíblia como fonte de orientação, mas estou certx de que poderíamos fazer uso do Bhagavad Gita, do Corão, das palavras de Sidartha Gautama, do Evangelho Segundo o Espiritismo ou dos discursos de Mahatma Gandhi. Peço licença para fazer uso da Bíblia, a partir de minha formação cultural, mas os deixo naturalmente à vontade para livre apropriação do que será socializado nesta nossa experiência.

Consta da Primeira Epístola de João, em seu capítulo 4, versículo 8, que “Deus é amor”. Provavelmente os discípulos de João, “apóstolo do amor”, conseguiram compreender que essa era a ideia principal em seus ensinos, assim como João o compreendera nos ensinos e exemplo de Jesus. E foi assim que escreveram essa Carta. Ao dizerem que Deus é amor, estavam enxergando o amor de Deus como o seu atributo maior, superior a todos os outros, o que torna o amor a chave de interpretação da natureza, do caráter e dos desígnios de Deus. Se Deus é amor, Deus é relacionamento e tolerância, o que prevalece sobre justiça e verdade, até porque existem muitas verdades, e todas devem coexistir livremente.

Se Deus é amor, e se o amor é atributo maior, podemos inferir que o amor é Deus. E essa divindade seria masculina e feminina, grande e pequena, habitando cada coração deste universo, o sorriso da criança, a flor que brota no campo e a luz cheia que embeleza o céu.

Então, se estamos aqui reunidos, pés descalços, cabeças totalmente ao vento, com a alma disposta a receber toda a energia desse amor, não importa credo, não importa nada, senão o amor dessa divindade ecoando qual energia cósmica, para otimizar o que há de bom em cada um de nós.

Agora, vamos ouvir nosso convidado cantar Maria, Maria, e, quem sabe, alguma coisa da Pabllo Vittar. Ui!

(…)

Gente, voltando aqui, não esqueçam da manifestação Lula Livre.

Vocês são tudo de bom. Vão pela sombra.

Ali na frente tem um pessoal vendendo miçangas e uns balangandãs que vieram de Salvador, direto do Pelourinho.

O leitor não fique desesperado: “a arte imita a vida”. Essas coisas estão acontecendo, e infelizmente alguns evangélicos não perceberam que sua visão de mundo reflete o que há de mais esquerdista na teologia.

Não pode haver cisão entre teologia e ética, entre teologia e prática, entre teologia e cosmovisão. Não existe ser “conservador na doutrina e socialista na política” – em algum momento ficará clara a opção que o sujeito fez. É impossível agradar a Deus, na Pessoa de Cristo, e ao mesmo tempo agradar aos postulados de uma ideologia política anticristã, antifamília e anti-igreja, que defende aborto, uso de entorpecentes, ideologia de gênero, agenda LGBTTQIA+, intolerância para com os cristãos, impunidade.

A esquerda socialista atrai muita gente porque apela ao ressentimento, e isto é pecado. Não há soluções fáceis para os graves problemas do mundo, mas, em razão do ressentimento, os socialistas querem mudar o mundo de uma vez, distribuindo renda sem considerar as regras básicas da economia, e empurrando sobre a sociedade escolhas ideológicas que desprezam a própria natureza humana, a lógica elementar e a forma como a realidade funciona.

Fique aí repetindo palavras de ordem da esquerda socialista que você será apenas massa nas mãos de oleiros inescrupulosos e inimigos de Deus, enquanto se acha muito bom por pensar em “justiça social”. A esquerda socialista é aquela ideologia que pretende o monopólio da virtude, e para isso vive pregando a falsa ideia de que conservadores são demônios do fascismo, do machismo, do racismo, do capitalismo selvagem, da intolerância, do imperialismo e da homofobia.

Você que compra essas coisas luta contra o Evangelho sem saber.

Por hoje é só.



Ministro do Evangelho na Assembleia de Deus em Salvador/BA. Membro do Conselho de Educação e Cultura da CONFRAMADEB. Bacharel em Direito. Casado e pai de três filhos.

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