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Os evangélicos e a mídia pós-eleições

Nunca a culpa dos abusos e crimes da esquerda são oriundos dela mesma, que tem uma dificuldade impressionante de fazer um "mea culpa".


Os evangélicos e a mídia pós-eleições

Depois da vitória do presidente Bolsonaro por mais de 10 milhões de votos na última eleição sobre Haddad, a mídia tradicional que não suporta o capitão, passou a buscar tecer considerações acerca do mundo evangélico, que apoiou maciçamente Bolsonaro, quase sempre querendo ridicularizá-lo ou tratá-lo com desdém.

Não que isso seja algo novo da mídia, que nunca se mostrou simpática aos evangélicos em geral, mas, no momento atual, a coisa parece ter se acirrado bastante com o resultado eleitoral.

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Porém, lendo os jornais e revistas, além dos comentários nas redes sociais e na internet, chego a conclusão de que a mídia ou é totalmente alienada acerca de quem são os evangélicos, de fato, ou usa frequentemente de má-fé.

Em primeiro lugar, a meu ver, esse apoio a Bolsonaro nada tem de surpreendente. Há bastante tempo, ele apoia vários pontos que agradam os cristãos em geral, tais como se opor à legalização das drogas, do aborto, ser contra a teoria queer (ideologia de gênero) nas escolas, etc.

Além disso, Bolsonaro passa a ideia de alguém que irá combater com maior rigor a corrupção acachapante que tomou conta do país e que teremos mais segurança e ordem, valores também caros à comunidade evangélica.

Por outro lado, o primeiro erro crasso da mídia, a meu ver, é achar que os evangélicos pensam todos da mesma forma. Ora, estamos falando de um agrupamento de mais de 42 milhões de pessoas, ou 22,2% da população. Neste sentido, achar que um conjunto de pessoas deste tamanho possui um pensamento único/monolítico é algo para lá de pueril de se pensar.

Se até mesmo em pontos da fé, não há uma convergência total entre as mais diferentes igrejas, quanto mais acerca dos problemas do país e de predileções por um candidato X ou Y.

Outro aspecto a ser ressaltado é que parte da mídia busca ver uma influência americana a influenciar a maioria das igrejas a terem apoiado Bolsonaro. É uma análise, a meu ver, um tanto rasa.

Em primeiro lugar, no momento que a mídia cita algo assim, vemos aquela ideia muito típica da esquerda de achar sempre o erro está no “outro”. É como Jean-Paul Sartre dizia: “O inferno são os outros”.

A culpa é sempre das mesmas “entidades”: os Estados Unidos, a Globo, o FMI, etc. Nunca a culpa dos abusos e crimes da esquerda são oriundos dela mesma, que tem uma dificuldade impressionante de fazer um “mea culpa”.

Assim, a partir deste pensamento, nada mais simplório do que achar que como os evangélicos não apoiaram o PT, certamente isso teria se dado em face de influência americana.

Se é fato que muitas de nossas igrejas têm suas origens no evangelicalismo americano, em face dos missionários que aportaram em nossas terras, hoje é indiscutível que nossas igrejas já possuem muitas características desenvolvidas aqui mesmo, ainda que eventualmente cantem hinos oriundos dos Estados Unidos.

Na realidade, o crescimento evangélico em nosso país tem muito mais a ver não com algo externo, mas, sim, com o sentimento de não-pertencimento e de abandono do estado com relação à população em geral. Assim, nos centros urbanos não é difícil encontrar inúmeras pessoas pobres e humildes, “invisíveis” à sociedade, e que se veem amadas e aceitas, reconhecidas em suas congregações, com um sentimento comunitário e de fé.

O que vimos nos anos petistas, foi que os governos quiseram fazer alianças com alguns líderes de igrejas midiáticas, achando que com isso, estes líderes já iriam cuidar de “fazer a cabeça” dos fiéis. Assim, os governos petistas fizeram pouquíssimo caso dos cristãos em geral.

Ledo engano da esquerda. O povo sabe discernir as coisas, e penso que nestas eleições, isso ficou bem claro em muitos aspectos.

Concluindo, espero que o povo evangélico possa estar sendo parte na construção de um país melhor, com os 4 anos de governo pela frente, e que possamos estar dando exemplo para à população. O Brasil precisa muito de nós. Que Deus nos abençoe.



Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil

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