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Nossas escolhas e o propósito divino

Vivemos em um mundo que, infantilmente, tenta se emancipar de Deus.


Nossas escolhas e o propósito divino

Em um texto como esses que publicamos no GP, sempre (obviamente) temos algo a dizer. Às vezes não é tão simples “dizer” algo. É mais fácil “falar”. São palavras com significados ligeiramente distintos. Mas, se tem algo que creio eu o Senhor Deus me tem impulsionado a falar ultimamente é sobre as nossas escolhas, suas consequências e o fato de termos de ponderar sobre as consequências de como agimos em meio a numa sociedade tão inconsequente.

O que posso dizer, que talvez não seja o que se queira ouvir (porque costumeiramente confundimos o que “queremos” com o que “precisamos”) é que nossa vida é, sem dúvida, majoritariamente definida por nossas escolhas.

Por mais que queiramos nos isentar das consequências de nossas escolhas e, como todo mundo, também queiramos ser felizes, alegres, sem grilos, não podemos nos esquecer de que vivemos em uma teia de relações, com ações e implicações diretas em nossas vidas. Há pessoas que tentam fugir disso – como se fosse possível – e, normalmente, por mais “brilho” que tenham consigo, não conseguem outra coisa, senão incerteza, tristeza, decepções e vazio. Há pessoas que têm algo especial, mas lhes falta sabedoria para até mesmo perceberem isso. E num mundo brilhantemente vazio como o nosso, se tem algo de que precisamos é de senso de consequência.

Sinceramente, creio que se algumas escolhas tivessem seguido um pouco da orientação que receberam em algum momento de suas vidas, hoje estariam desfrutando, ao menos espiritualmente, de uma realidade muito, muito diferente. É fácil afirmarmos, hoje, que o que vivemos foi “fruto de aprendizado” ou querermos ver um propósito especial em todas as agruras pelas quais passamos. Mas, em momentos como esse, não consigo deixar de pensar também em textos como o de Eclesiastes, nos quais se observa que muito do que os homens fazem, pelo que correm e o que almejam nada mais é do que “vazio”. Esta é a tradução da palavra comumente traduzida por “vaidade” (hebel, no hebraico, que também pode ser traduzida por vapor – cf. Ec. 1:1).

O ser humano é por natureza um ser significante. Isto quer dizer que, naturalmente, tendemos a denotar significado em tudo, assim como temos a tendência de observarmos formas conhecidas, como rostos humanos, em coisas inanimadas. Os “rostos” não estão lá, mas na forma como olhamos. Pelo fato de não conseguirmos aceitar que muito do que escolhemos em nossas vidas resultou em vazio, vapor, construímos pensamentos frágeis, que têm implicações inclusive em nossas teologias, pois é insuportável pensarmos que muito do que vivemos, pelo que passamos, principalmente a partir de nossas próprias (más) escolhas, não teve propósito algum, e nada mais foi que uma enorme perda de tempo. Sim, é possível aprender também com as perdas!

Vivemos em um mundo que, infantilmente, tenta se emancipar de Deus. Diz amá-lo, querê-lo, respeitá-lo, mas é só balela. Bem sabemos que, a cada dia, a única preocupação dos homens é buscar avidamente suas próprias definições distorcidas de prazer e realização pessoal. Definições essas que, por mais que se lhes mostrem vazias, desprovidas de sentido, continuam sendo o alvo, o objetivo. E é exatamente este “vazio” sobre o qual nos alerta o Eclesiastes: é nossa fuga do propósito divino, e que acontece definidamente por causa de nossas próprias escolhas. Se assim não fosse, por que a Bíblia gastaria tanto espaço para nos alertar sobre o perigo de suas consequências? Por que seríamos tão contundentemente chamados à atenção? Por que seríamos tão enfaticamente confrontados, pela Palavra, a agirmos de tal modo, que jamais saíssemos do se nos é revelado como vontade de Deus para todo o Homem? Se fosse diferente, nada na Bíblia faria sentido.

Talvez, pela contingência de uma vida de nulidades, de vazio, de más escolhas, você tenha chegado àquela triste e também ilusória conclusão de que nada mais tem propósito. Talvez o seu eu, cansado de ter de fugir de si mesmo, tenha criado uma conveniente barreira psicológica, que o impede de ver que a solução também não consiste em não se ver propósito em nada, mas em saber qual o propósito certo; e este, por sua vez, é aquele que alinha-se perfeitamente à vontade perfeita de Deus para sua vida. De modo que não tenho outra coisa a dizer aqui, senão isto: tente (você mesmo, que ora lê estas linhas) desenterrar aquela pessoa que está aí dentro, ávida, sedenta, faminta por uma verdadeira mudança de vida. Aquela que quer viver além das miragens do mundo. Que sabe que não sabe das coisas. E que confia de verdade em Deus, ao ponto de decidir morrer para este mundo e viver para sempre e sem reservas aquilo que a alma percebeu, ainda que inconscientemente, ser infinitamente melhor. E o melhor, sem sombra de dúvidas é, em relação ao propósito da vida, saber “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:2).

Deus te abençoe.



Graduado em Teologia e Filosofia. Pós graduado em Doc. do Ensino Superior, Teologia Bíblica e Psicopedagogia (FATIN). Mestre em Filosofia (Univ. Federal de Pernambuco). Doutorando em Filosofia (Univ. Federal de Pernambuco). Diretor do IALTH (Inst. Aliança de Linguística, Teologia e Humanidades). Pastor da IEVCA (Igreja Ev. Aliança). Casado com Patrícia, com quem tem uma filha, Daniella.


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