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Nós também estamos sendo julgados

Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus? 1 Pedro 4:17


STF
Nós também estamos sendo julgados

O Brasileiro sempre foi um povo afeiçoado à heróis. Não é de hoje que figuras políticas e artistas são transformados em ícones do imaginário popular que comumente costuma nomeá-los como reis, salvadores, mitos.

Alguém já disse que temos a mania de realeza para tudo. Coroamos o rei do futebol, o rei da música popular, a rainha dos baixinhos. Talvez isso ocorra por não termos nos libertado por inteiro daquilo que Nelson Rodrigues chamou de “Complexo de vira latas”.

Fato é que o brasileiro ama erguer ídolos, e tal comportamento traz consigo grande perniciosidade, principalmente quando esse ídolo é uma figura política com carisma e forte apelo popular como o ex presidente Lula.

Os ídolos são de barro, e como tal, sujeitos a ruírem. E a ruína de um ídolo político afeta seus seguidores, que muitas vezes não admitem ver estraçalhada toda uma ideologia construída a partir do mesmo. A derrocada de um ídolo é a morte daquilo que este personificava no imaginário popular.

Para muitos então é preferível que, para que a ideologia sobreviva, o ídolo seja canonizado. Onde há perfeição, não há impureza. Sendo assim, às custas da sobrevivência de uma utopia, o ídolo ganha características de idoneidade suprema. Seus seguidores irão até as últimas consequências a fim de que o ídolo se erga das cinzas qual fênix, e traga consigo a certeza de que seus ideais seguirão história adentro.

Para nós cristãos, no entanto, nosso problema é bem mais complexo do que a manutenção ou derrocada de um ídolo político. Creio que a crise em nossa nação tem uma função de juízo, em particular para o povo de Deus. Creio que o Senhor está nos colocando diante de ideologias, utopias e personagens emblemáticos, para que possamos detectar através disso tudo, o pecado.

O pecado de chamar de justo o que é injusto, e vice-versa.

O pecado de amar o presente século ao ponto de nos rendermos aos fins que supostamente justificam os meios.

O pecado de nos irarmos ao invés de nos compadecermos dos nossos irmãos que não conseguem enxergar as coisas como biblicamente devem ser vistas e por isso considerá-los apostatas, negando até mesmo a possibilidade da oração pelos mesmos, ainda que estes confessem a Cristo como salvador e creiam nos fundamentos básicos da fé.

O pecado de negarmos um ídolo político e erguermos outro em contrapartida.

O pecado de não lamentarmos com jejum e lágrimas toda a miséria de um povo que conseguiu o direito de eleger democraticamente seus governantes, mas experimenta a vergonha de vê-los condenados por corrupção.

Tudo isso vai passar, e como sempre a justiça de Deus prevalecerá. Mas nós como povo de Deus estamos sob julgamento, ele sempre começa pela casa de Deus (I Pe 4.17). Espero que nossos princípios sejam aqueles regulados pelas Escrituras e não pelo que o momento nos impõe, minha oração é que passemos bem pela prova.



Pastor da Primeira Igreja Batista em Planalto Caucaia - Ceará. Professor. Teólogo; Autor dos livros "Como o nascer do sol"(Editora Premius), "Onde está Deus? - Crendo em Deus em um mundo descrente"(Abba Press), "Sentindo a Vida" (Editora Reflexão), "O que as crianças nos ensinam sobre Deus (Garimpo) e "Jesus e os descaminhos da Igreja" (Garimpo).

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