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Dicas para não ser um “desigrejado”

A igreja, que até então era o centro de tudo, passa a ser vista como a “prisão” a ser abandonada o mais rapidamente.


Dicas para não ser um "desigrejado"

Todo dia, encontro por aí os chamados “desigrejados”, que são pessoas que eram do meio cristão, porém, se encontram afastadas das igrejas, alegando que estão magoadas ou ressentidas, apesar de alegarem que não perderam a fé. É um fenômeno crescente a olho nu, ainda mais na nossa sociedade cada vez mais individualista e rejeitadora de compromissos.

A própria igreja, assim, vira apenas uma opção a ir, quando queremos, diante das várias opções que o mundo moderno nos apresenta. Analisando muitas histórias destes “desigrejados”, vi algumas coisas que penso deverem ser evitadas para que não se chegue a tal estado.

1) Não resumir o seu mundo apenas à igreja

A maioria dos “desigrejados” que conheço eram pessoas extremamente dedicadas à igreja, muitas vezes quase que “morando” dentro das igrejas, com inúmeras atribuições e ministérios. É como se o mundo se resumisse a igreja, não tendo vida social fora dela, e muitas vezes prejudicando outras áreas da vida, como o trabalho, os estudos, a convivência com os parentes, etc.

Passado um período, aquela pessoa começa a achar que “perdeu tempo” demais na igreja, que as coisas não aconteceram na vida dela como prometeram, até porque o “evangelho” que se prega hoje é um evangelho barato do tipo, seja um bom crente, que Jesus faz tudo.
Esse tipo de mentalidade é um prato cheio para a decepção e a revolta com à igreja, que passa a ser vista como a vilã, sendo que, às vezes, foi a própria imaturidade da pessoa de querer fazer da igreja uma “bengala” que contribuiu muito para chegar ao estado em que o indivíduo se encontra.

2) Não agir como os gnósticos

Uma das heresias mais fortes no início da igreja era o gnosticismo. Um dos seus postulados principais é que a matéria era algo ruim, mau, sendo virtuoso apenas o espiritual. Assim, muitos que advogavam tal heresia não conseguiam ver Jesus como Deus, já que seria impossível um Deus tomar a condição humana, materializando-se.

No meio religioso, o que vejo muito é algo um tanto parecido com essa mentalidade. Muitos irmãos colocam tudo ou quase tudo que não seja relativo a igreja, como pecaminoso, do “mundo”, caindo em um legalismo sem fim, julgando todos que pensam/agem diferente, o que é bem diferente de buscar santidade.

Com efeito, com o passar do tempo, estas pessoas passam a serem seres deslocados socialmente, vivendo em espécie de guetos existenciais. E isso nunca foi a proposta do Evangelho que nos convida a sermos sal no mundo, e não sal dentro de “quatro paredes” de uma igreja.

Com o passar do tempo, esse legalismo que não produz vida, acaba por desmoronar, aí a pessoa parece querer fazer tudo que nunca tinha feito antes de forma exagerada, já que foram anos de repressão, às vezes, até autoimposta.

Assim, se o cara dizia que não podia nem beijar antes do casamento, agora ele quer sair com cinco meninas por vezes e transar com todas. Se o cara dizia que não podia beber nem meio copo de vinho ocasionalmente, ele agora quer cair de tanto beber e aí vai. Neste ponto, a igreja, que até então era o centro de tudo, passa a ser vista como a “prisão” a ser abandonada o mais rapidamente.

3) Não confunda igreja e seu líder com Deus

Algo que é sempre falado na igreja, mas, parece que emocionalmente muitos não conseguem separar é o que é Deus e o que é a igreja/seu líder. Parece que na cabeça de muitos, é como se Deus estivesse no mesmo pacote, o que é um erro crasso.

Neste contexto, o ambiente das igrejas é um ambiente que infelizmente é propício para existirem hipocrisias. Isto porque, ali é esperado que todos tenham um padrão ético e moral satisfatório perante os olhos dos demais. Ninguém chega em uma igreja dizendo que está enganando o próximo, adulterando, roubando, bebendo todas, se drogando, etc., apesar de muitas pessoas fazerem isso às escondidas.

Isto porque, se estas pessoas falarem isso abertamente é bem possível de serem disciplinadas ou vistas como “párias” no âmbito da igreja, ainda que muitos dentro daquela denominação façam exatamente a mesma coisa.

Portanto, quando as coisas vêm à tona, é como se a magia que ligava as pessoas à igreja ou a uma liderança fossem para o espaço. É como se finalmente tivessem conhecimento do caráter daquelas pessoas que muitas vezes era até evidentes, mas que a pessoa teimava em não ver. E se estas lideranças da igreja feriram, é um passo para um oceano de ressentimentos e mágoas a ser lembrado por muito tempo.

Concluindo, Deus nada tem a ver com isso. Daí, a necessidade que sejamos cristãos maduros e conscientes, pois o Cristianismo é uma fé relacional, onde amadurecemos no convívio com os irmãos e possamos estar dando ouvido ao que diz Hebreus 10:25: Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.



Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil


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