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A perversa alegria pelo derramamento de sangue inocente

Uma decisão da Suprema Corte americana, para ampliação da prática do aborto, deixou os abortistas em estado de êxtase


A perversa alegria pelo derramamento de sangue inocente

Nesta semana, no dia 28 de junho, a ex-deputada americana e abortista Wendy Davis declarou à imprensa que “explodiu em lágrimas de felicidade”. O motivo da alegria foi a decisão da Suprema Corte do Estados Unidos de derrubar a iniciativa do governador do Texas de criar restrições aos médicos que executam o aborto.

Em 2013, o Texas havia ampliado as exigências para o funcionamento de clínicas de aborto. Essas instituições precisavam oferecer uma estrutura semelhante à de centros cirúrgicos, o que resultou no fechamento de mais de metade delas, restando apenas 22 das 41 existentes até então.

Mais precisamente, as palavras da ex-deputada Davis foram: “Eu fiquei muito feliz. Lágrimas de alegria jorraram pelas mulheres de Texas!” (Huffington Post). ” Lágrimas de alegria e suspiros de alívio! ” (CNN). “Só consigo gritar e chorar pela boa notícia!” (Twitter). ” Chorando, em estado de êxtase!” (CNN novamente).

O júbilo de Daves, e sua celebração desmedida pela volta do derramamento de sangue inocente, oferece uma oportunidade de se ter uma compreensão mais ampla do que o progressismo secular propõe, alertou a escritora Mary Eberstadt, articulista da TIME, do Wall Street Journal e National Review.  “A decisão da Suprema Corte gerou uma explosão de euforia comparável a uma experiência religiosa, quase uma rave gnóstica”, descreveu.

A escritora observou que, em outros tempos, até mesmo os liberais percebiam o aborto como uma coisa lamentável, embora por vezes necessário. “Mas esse sentimento de piedade ficou no passado”.

Eberstadt revela que até programas humorísticos da TV, como The Daily Show, usam as mídias sociais para comunicar aos seus milhões de seguidores uma frase de gosto duvidoso: “Comemore a decisão da Suprema Corte! Vá engravidar alguém no Texas!”.  “Pela lógica do progressismo secular de hoje, a única coisa a lamentar sobre o aborto é que não temos o suficiente dele”, denuncia a escritora.

As implicações disso talvez demorem para ser percebidas, acrescenta. “Se alguém ainda duvida que o Ocidente tem originado uma nova fé macabra, a alegria demonstrada pela aniquilação desejável das gerações futuras deixa tudo muito claro. A defesa apaixonada dos seus fiéis deixa sua perversidade desnudada em público”, escreve Eberstadt.

A relação quase religiosa exposta pelo exacerbado sentimento de vitória em prol do aborto é o ponto para o qual a escritora americana chama a atenção. Ela destaca que possivelmente os adeptos do pensamento progressista não gostariam de dizer que eles se comportam como adeptos de uma religião. Mesmo assim, orquestram seus atos como se estivessem em uma guerra religiosa.

“Obviamente, essa fé secular não deseja ser reconhecida como tal, mas o comportamento de seus seguidores apresenta todos os elementos básicos: mártires, demônios, escolas de pensamento, sacramentos e a certeza absolutista que todos que discordam merecem ser punidos.” E Eberstadt completa: com a decisão da Suprema Corte, os “fiéis” pareceram ser tomados por um êxtase que lembrava rituais místicos.

As constatações de Mary Eberstadt e a decisão da Suprema Corte deixam algo claro: ao dar às mães o direito, aprovado pelo Estado, de terminar uma gravidez está-se ignorando os direitos e interesses das outras partes envolvidas na questão.  Em primeiro lugar, anula-se completamente o poder de decisão do homem na questão.  E em segundo, há uma anulação completa da vida da criança em gestação, em meio a evidências a cada dia mais conclusivas de que aquilo que está no útero é de fato uma vida.

Os defensores do aborto, cada vez mais, estão sendo confrontados com a inerente humanidade do feto em desenvolvimento.  Cada vez mais eles precisam ignorar várias provas científicas que mostram justamente que todos os ingredientes necessários para a vida já são apresentados logo no início da gravidez. Não é uma bolha de sangue ou uma simples forma de vida análoga a uma bactéria: é um ser humano em desenvolvimento.

Outro aspecto de grande importância é o fato de que o aborto viola o princípio da não-agressão. A mãe toma a decisão unilateral de acabar com uma vida.  Enquanto a criança obviamente não tem voz nessa questão.  Com os pais abortistas e o Estado tomando a decisão pela criança, eles prematuramente terminam a sua vida. É moral e intelectualmente injusto fazer com que uma criança indesejada carregue o fardo pelas ações irresponsáveis de terceiros. Se alguém ainda tem dúvidas sobre esse ponto, sugiro que assista o testemunho de Gianna Jessen, disponível no Youtube. Ela conta como sobreviveu ao aborto e apresenta uma perspectiva impactante sobre ao assunto.



Elisa Robson é jornalista, professora universitária, Mestre em Comunicação e Linguagens, autora do livro Motivation To Pray – Brief Messages For Modern Women (ed. Chiado), publicado na Europa e nos EUA e disponível pela Amazon. É casada, mãe de três filhos, membro da Igreja Presbiteriana Nacional, em Brasília.


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