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A morte da memória é um crime contra as futuras gerações

Precisamos chorar pelos pecados do povo brasileiro.


A morte da memória é um crime contra as futuras gerações

Eu trabalho em São Cristóvão. Hoje, diferentemente de minha rotina comum, andei até a minha empresa pelo lado da Quinta da Boa Vista. Estava tudo nebuloso, mesmo com o dia ensolarado. O clima ao redor do parque era de luto e abandono.

Haviam jornalistas, que na verdade deveriam estar cobrindo o trânsito da cidade ou as agendas dos candidatos ao governo do Estado. Aqueles profissionais não deveriam estar ali, mas “aconteceu, virou manchete”.

Uma tragédia? Sim. Perdas irreparáveis? Aos milhões. No entanto, me dói muito mais ter de me deparar com a morte da nossa memória como povo.

O último presidente que entrou no Museu Nacional foi Juscelino Kubitschek, que já não está no poder há 58 anos. Tivemos a festa dos 200 anos, e nenhum ministro da cultura ou da educação esteve por lá. Agora, temos de engolir a seco as declarações cheias de remorso de Michel Temer e sua trupe, ou dos aproveitadores que estiveram nos governos anteriores e que nada fizeram para revitalizar e preservar a instituição.

Dizem agora que a culpa é de uma PEC chamada “a PEC do teto dos gastos”, mas tenho para mim que antes mesmo da aprovação desta emenda constitucional o desleixo já era completo e evidente. De 2014 para cá, os cortes passaram a afetar a verba de manutenção e o museu chegou a fechar as portas por falta de pagamento aos funcionários de limpeza e vigilância. Tragédia mais que anunciada.

Morreu a memória do Brasil numa proporção no mínimo considerável, porém serão as futuras gerações que sofrerão as maiores consequências.

Estamos vivendo tempos de abandono no âmbito político e econômico, e tentando pensar em quem votar aqui no Rio de Janeiro para governador considerando Romário, Garotinho, Eduardo Paes, Márcia Tiburi (sim, acredite, e com o direito à uma camisa com a frase “Lula livre”) e o professor de humanas do PSOL (variação propositiva do partido dos trabalhadores), Tarcísio Costa, que defende mais impostos para mais gastos públicos num contexto de um Estado quebrado economicamente – e isso para recuperar a economia do Estado.

Os repasses do Governo Federal não chegaram em tempo de salvaguardar o Museu Nacional. Não havia uma estrutura mínima para prevenir uma tragédia como essa. O povo, que tanto debate política no Facebook, pouco pode fazer hoje a não ser lamentar e entrar no Facebook para publicar o seu lamento. Agora, o que nos resta é a orfandade cultural, a dor de uma parte de nossa construção histórica que nos deixou repentinamente e a reflexão do tipo de país que estamos ajudando a construir, seja ativa ou passivamente.

Deus, o Criador Soberano, não foi o responsável pelo incêndio. O homem foi. Desde o Michel Temer, até aquele mais simples que ajudou com o seu voto a eleger os corruptos de tal chapa infernal.

Vejo um dilema existencial nesta democracia representativa. Parece que votamos mal desde o primeiro momento em que o nosso direito adquirido do voto foi exercido. Estamos entregues ao caos desde muito antes do impeachment de 2016; falidos desde que passamos, de maneira geral, a amar mais a política ou o partido ou o personagem político do que a Cristo, e por pensarmos que este país será transformado por vias humanas, geopolíticas e ideológicas, ao invés das vias do evangelho e do discipulado cristão.

Há quem submeta sua cosmovisão política aos escritos de Karl Marx, Foucault, José Mujica, Paulo Freire, Leonardo Boff, Nietzsche, Sartre entre outros e entenda que a Bíblia não pode ordenar a cosmovisão de um cristão para uma compreensão política que considere o Reino de Cristo sobre os magistrados civis e servidores e administradores públicos.

Há quem pense que Jesus não quer governar diretamente a nação por meio de seu evangelho, e por isso temos de permanecer dizendo ao povo que o populismo assistencialista ou a ultra intervenção estatal é a solução da pobreza ou do caos político/econômico generalizado no Brasil.

Em outras palavras, há uma necessidade de uma re-evangelização de muitos que professam a fé no mesmo Cristo que aqueles que defendem a autoridade suprema da Bíblia professam crer. Antes de uma transformação no cenário político, precisamos alinhar o corpo de crenças do povo de Deus (e isso deve acontecer através de cada púlpito, a priori), para que um suicídio nacional por completo não seja praticado.

Precisamos chorar pelos pecados do povo brasileiro. Precisamos agir contra todas as estruturas de injustiça; contudo, nossas armas devem ser as do Espírito e não as da carne.



32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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